Polícia investiga o caso da jovem de Corupá que foi agredida 13 dias antes de morrer

25/05/2011

A costureira Cláudia Francielen de Andrade Borba, 27 anos, de Corupá, gostava de sair para dançar depois de uma semana de trabalho. Na madrugada do dia 30 de abril, após uma balada com as amigas, ela foi jogada por quatro rapazes em uma vala em frente a uma boate em Jaraguá do Sul. Treze dias depois da agressão, ela morreu por causa de uma parada cardiorrespiratória e febre desconhecida, segundo o atestado de óbito. A Polícia Civil de Jaraguá do Sul investiga a possível ligação da violência com a morte e se houve negligência médica.

A mãe da jovem, a costureira Francisca Salete de Andrade, 48 anos, vive dias de angústia. Além da dor da perda, enfrenta a dúvida de não saber o motivo da morte de Cláudia. Francisca tenta se reerguer com a ajuda da filha Carla, 16, e da nora Madeline de Paula Cabral, 23. As três contam que, após a agressão, a costureira reclamava de dores no corpo.

Segundo o relatório da Polícia Militar, Cláudia teria se perdido das amigas e seguiu até a BR-280 para tentar uma carona para Corupá. Quatro rapazes disseram que a levariam se ela aceitasse fazer sexo com o grupo.

Como a jovem não aceitou, foi empurrada para uma vala.

— Ela me contou que desceu rolando e caiu na água suja. Ela estava horrível quando a encontrei na delegacia — lembra Francisca.

Um taxista flagrou a cena e chamou a Polícia Militar, que enviou três viaturas para o local. Na rua Emerich Sprung, dois dos suspeitos foram encontrados. Um adolescente de 17 anos saiu correndo, mas foi apreendido logo em seguida. Um rapaz de 19 anos tentou pular o muro de uma casa e quando detido tentou escapar mais uma vez. A PM precisou disparar a pistola taser – que transmite choque elétricos – para deter o suspeito.

Cláudia contou à polícia que quando tentou sair da vala de esgoto os rapazes jogaram pedras em sua direção.

— Ela escutou os meninos gritando que queriam acertar as pedras nela” — fala a mãe da vítima.

A costureira foi levada para o Hospital São José, mas não foram encontrados hematomas aparentes. A vítima tomou um calmante e foi liberada pelo médico.

Os dois suspeitos e Cláudia foram para a delegacia, onde foi registrado boletim de ocorrência de agressão.

— Os dois suspeitos negaram o crime e nenhuma testemunha apareceu para confirmar a agressão. Também não foi registrado no BO que a vítima teria sido apedrejada — relata o delegado Adriano Spolaor.

Segundo ele, a vítima não tinha ferimentos. Por isso, os suspeitos foram liberados. Foi aberto um inquérito para apurar a denúncia.

Cláudia, que chorava muito, voltou para Corupá com a mãe e um amigo.


Vítima foi quatro vezes ao médico

Ao chegar em Corupá, Francisca de Andrade levou a filha ao Pronto-atendimento 24 horas. O médico de plantão receitou um calmante e descanso. Durante a semana, Cláudia começou a sentir fortes dores no corpo. Ela voltou ao PA e foram receitados medicamentos para diminuir a dor, segundo conta Francisca.

Uma semana depois, no dia 11 de maio, Cláudia retornou ao PA com febre. O médico de plantão informou que ela estava com sintomas de gripe e receitou um medicamento para diminuir a febre e as dores musculares. Na quinta-feira, lembra a mãe, pela quarta vez, ela e a filha voltaram ao pronto-atendimento.

— Nós insistimos em dizer que alguma coisa poderia estar relacionada com a queda ou algum ferimento interno. Talvez até alguma doença que ela pegou na água do esgoto — ressalta a mãe.

A médica de plantão da noite, que preferiu não se identificar, relata que recebeu Cláudia com os mesmos sintomas de gripe.

— Ela tinha febre de 39º e dores musculares. Como era retorno em poucos dias, pedi exames de raio-x e laboratoriais — conta.

Cláudia ficou em observação por cerca de cinco horas na noite do dia 12 de maio e recebeu soro. A febre baixou e seu quadro era estável, afirma a a profissional. Ela deveria voltar na manhã do dia seguinte para fazer os exames.

Não deu tempo. Na manhã do dia 13 de maio, Francisca encontrou a filha desacordada no quarto.

— Chamamos os bombeiros, que fizeram massagem cardíaca — recorda.

Cláudia foi encaminhada ao PA, mas já estava morta.


Fonte: A NOTÍCIA

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