Caso Ítalo: mãe de menino morto em Joinville quebra o silêncio

05/07/2012

Quase quatro meses após a morte do filho, Ítalo Fernandes de Mattos, de um ano e sete meses, Michelly Fernandes, 29, quebrou o silêncio sobre o que teria acontecido na madrugada de 10 de março na casa onde moravam, no Saguaçu, em Joinville.

Usando uma camiseta baseada em uma fotografia dela e do filho, ela falou sobre os últimos minutos que teve com Ítalo e sobre a relação dele com o padrasto, o analista de sistemas Marcelo Buss Bernardes, 41, ainda preso acusado de assassinato. Preferiu não mostrar o rosto.

Michelly frisou não ter posição definida sobre o caso e que espera que a audiência de instrução de julgamento, nesta sexta, elucide o que aconteceu.

— Mas quero acreditar que ele [Marcelo] não fez nada intencional contra o meu filho, por causa do que vivemos como família e do cuidado que ele sempre teve com o Ítalo —, afirma ela, que demonstra esperança de que o companheiro venha a ser inocentado.

Marcelo falou à imprensa em abril, quando chorou e negou ter machucado a criança, que diz ter sido vítima de uma queda da cadeira em 8 de março. A versão é sustentada por ele até hoje.

A mãe de Ítalo afirma que o companheiro justificou, no dia 9, os arranhões nas costas do menino afirmando que ele caiu sobre uma parte quebrada do box do chuveiro durante o banho.

A sonolência da criança, dissera o padrasto, havia surgido após a queda da cadeira. Quando Ítalo sofreu as lesões na cabeça que causaram sua morte, segundo a perícia, no dia 8, ele estava aos cuidados do padrasto. Michelly estava trabalhando como recepcionista em uma casa noturna.

Abalada com a perda do filho, ela diz que até então não havia falado sobre o caso porque não estava em condições emocionais.

— Hoje, ainda não me sinto pronta, mas estou melhor —, justifica.

— O silêncio é prece, e precisei de muita ajuda da minha família e de acompanhamento médico para aprender a viver novamente, a viver sem o meu filho —, disse, emocionada.

INOCÊNCIA

"Não tenho uma posição definitiva sobre o caso, mas quero acreditar que ele [Marcelo] não fez nada intencionalmente contra o meu filho, por causa do que vivemos como família e do cuidado que ele sempre teve com o Ítalo, que era o filho homem que ele não teve. Não espero isso dele, pelo homem e pelo pai que ele é para as duas filhas e que vinha sendo para o Ítalo. O que me levou a confiar que, com ele, eu realizaria meu sonho de ter uma família."

ÚLTIMO DIA

"O dia 9 de março foi feriado, então passamos o dia juntos passeando, eu, ele e o Marcelo. O dia estava muito favorável e o Ítalo estava muito feliz. Ele foi, junto com o Marcelo, me levar no trabalho, e nos despedimos no carro. Foi meu último momento com ele antes do acidente. Lá pelas 20 horas, liguei para saber dele e achei que, depois do passeio, estaria dormindo, mas tinha acordado. Falamos e disse que logo estaria em casa."

ARRANHÕES

“No dia 8 de março, trabalhei, e o Marcelo buscou o Ítalo na escola. Quando cheguei, de madrugada, ele relatou que o Ítalo tinha caído no banho e batido com as costas no box, mas que não tinha sido grave. De manhã, vi que tinha, de fato, escoriações, mas quando me mostraram as fotos [da autópsia], me assustei. A região das costas estava toda vermelha. Depois parei para pensar: a gente nunca sabe a reação do corpo após a morte.”

ACIDENTE

“O Marcelo relatou que o Ítalo estava brincando e que teve um acidente em casa, que ele tinha batido a cabeça. Ele disse que não foi grave, que colocou gelo e acalmou o Ítalo na cama. Ele apresentou sonolência e o Marcelo então levou o Ítalo para cama e voltou a trabalhar. Disse que foi até o quarto e estava tudo bem. Mas me preocupei, porque sei que uma pessoa que bate a cabeça não deve dormir em seguida.”

CONSELHO TUTELAR

“Quando me separei do pai do meu filho, entrei com um pedido para regularizar a pensão e as visitas, e ele não gostou quando avisei que havia feito esse contato. Quando recebemos a carta do Conselho Tutelar, imaginei que era por causa disso. Fui para lá achando que era isso, e fiquei surpresa ao saber que se tratava de uma denúncia.”

VISITA NA PRISÃO

“Fomos separados [ela e Marcelo] na delegacia. Foi um choque o que aconteceu com a gente. Precisei digerir tudo o que aconteceu e depois de um tempo consegui visitá-lo. Precisei vê-lo novamente. Ouvi dele a mesma versão do acidente. Não posso dizer que sai convicta, mas não consigo acreditar que ele tenha sido violento com o Ítalo.”

EXPECTATIVA COM A AUDIÊNCIA DE AMANHÃ

“Chegou a hora de ouvir todas partes para ter uma visão geral e esclarecer o que aconteceu. Neste período, busquei conhecimentos sobre investigação e uma frase de Francisco de Carvalho Moreira [advogado brasileiro da época imperial] resume o que penso neste momento: ‘É essencial que cada um faça parte em boa fé, que não se esforcem em parecer o que não foi’. Quero que mostrem o que realmente aconteceu com o meu filho, é isso o que espero da Justiça.”

CIÚME

“Sempre que eu tinha que trabalhar e o pai não podia ficar com o Ítalo, no fim de semana, ele ficava com o Marcelo. Essa rotina existia. O Ítalo nunca teve resistência ou medo de ir com o Marcelo. O que havia, talvez, era não aceitação da separação e ciúme por parte do pai com relação ao Marcelo.”

OUTROS PROCESSOS

“Sabia que o Marcelo e a ex-mulher dele brigavam pela guarda da filha e que ela o acusou [à polícia] de agressões verbais, mas nada de violência assim. Sei que nessas brigas por guarda é comum a troca de acusações, então nunca me preocupei.”

DENÚNCIAS DO PAI

“Não percebi mudança de comportamento do Ítalo e também não havia qualquer resistência dele em ficar com o Marcelo. O pai diz que ele não estava ganhando peso, mas não é verdade. Tinha levado ele no médico em fevereiro e ele estava bem, com peso e altura dentro do esperado.”

NO HOSPITAL

“Ao chegar em casa [na madrugada do dia 10], fui ao quarto e percebi que o Ítalo não estava bem. Senti a respiração fraquinha e gritei para o Mar-celo. Tentamos respiração boca a boca e ele reagiu como se precisasse de ar. Fomos ao PA [Norte] e ele foi atendido em uma sala, enquanto chorávamos do lado de fora. Falaram que ele foi reanimado e fiquei aliviada, mas um médico disse que ele precisava ser transferido para o Hospital Infantil. Questionei se não era melhor ficar ali, mas disseram que a ambulância era equipada. Insisti, mas não me deixaram ir junto. Quando Ítalo chegou, não estava entubado e disseram que estava em parada cardíaca. Pouco depois, veio a notícia: ele tinha morrido.”


Fonte: A NOTÍCIA

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