Motorista que atropelou e matou uma jovem de 16 anos vai a júri popular em Piçarras

07/03/2012

Oito anos após de ter atropelado um grupo de pessoas, entre eles uma jovem de 16 anos que não resistiu aos ferimentos e morreu, uma motorista que teria saído dirigindo embriagada de uma boate, em Piçarras, sentará nesta quarta-feira no banco dos réus.

A defesa pretende contestar a versão de que a ré estaria embriagada. De acordo com o advogado Santino Ruchinski, ao longo do processo foram ouvidas testemunhas que afirmaram o contrário. Ele ainda destaca que a jovem atropelada ficou caída no meio da rua,o que seria uma evidência de que o grupo estaria caminhando no meio da via.

Ela será julgada pelos crimes de homicídio doloso - por ter assumido o risco de matar, ao dirigir alcoolizada - e lesões corporais de natureza grave, já que outro jovem também ficou gravemente ferido durante o acidente. O caso vai a júri popular no Fórum de Balneário Piçarras às 9 horas e a motorista, Ana Luiza Dobeck, de São Bento do Sul, pode ser condenada a uma pena de seis a 20 anos de prisão. A previsão é de que a sentença seja proferida pelo juiz Alexandre Schramm no fim da tarde.

Conforme o relato de testemunhas que já foram inquiridas no processo, Ana Luiza, que na época tinha 22 anos, teria deixado a boate Bali Hai na manhã do dia 1° de janeiro de 2004, por volta das seis horas, acompanhada de outras duas moças e dois rapazes, depois de ter bebido cerveja e destilados no estacionamento do local.

Embriagada e em alta velocidade, ela teria dirigido em ziguezague pela Avenida Nereu Ramos, sentido centro de Piçarras, fazendo uma "brincadeira" que alguns chamam de "tirar fininho" dos pedestres. Brincadeira essa que terminou em tragédia.

Na altura da esquina da rua Bom Fim, quando Ana Luiza investiu contra um terceiro grupo, formado por 12 pedestres, ela perdeu o controle do veículo, subiu na calçada; e o carro, desgovernado, atingiu, pelas costas, dois jovens.

Bruna Gaeski, que foi lançada contra um muro, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Já Raul Ravello Filho sobreviveu, apesar de ter ficado gravemente ferido. Ele quebrou a perna e teve traumatismo craniano, tendo que ficar uma semana internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

De acordo com informações do inquérito policial, ao ser socorrida Ana Luiza pronunciava palavras sem nexo e estava visivelmente alcoolizada. Além disso, no interior do carro foram encontradas latas de cerveja vazias e um litro de uísque, também vazio.

Família Gaeski espera que caso sirva de exemplo

— Depois de muito trabalho, grandes decepções com o Poder Judiciário e um longo tempo, esperamos que finalmente se faça justiça —, desabafa o advogado e pai da vítima, Gilberto Gaeski, que viu uma série de recursos serem apresentados pela ré, que pretendia o enquadramento do processo como crime culposo (matar sem intenção).

Mas o Tribunal de Justiça de Santa Catarina não acolheu os recursos da acusada, determinando o Júri Popular, ante o risco assumido pela ré em cometer o crime contra a vida de Bruna.

Gaeski espera que o julgamento tenha um caráter pedagógico, demonstrando que "ninguém está livre de se sentar no banco dos réus para ser julgado por um crime de trânsito". Para ele, esta é uma oportunidade que a Justiça tem de deixar claro que motoristas que colocam em risco a vida de outras pessoas ao dirigir embriagados não devem ficar impunes.

— Testemunhas disseram que a Ana Luiza não tinha condições de caminhar, quando mais de dirigir —, diz Gaeski, relembrando aquele dia 1º de janeiro em que a filha, de 16 anos, saiu com amigos e familiares para comemorar o Réveillon no Bali Hai e não retornou.

Após a tragédia, a família Gaeski, de Curitiba (PR), resolveu transformar a dor da perda em motivação para ajudar outras famílias. Em 2004, eles criaram uma Ong, que presta assistência jurídica gratuita a pessoas vitimas de crimes de trânsito e seus familiares: o Instituto Dias Melhores (www.institutodiasmelhores.com.br).

A entidade criada em homenagem à Bruna, nestes oito anos de atuação, já auxiliou pelo menos outras 30 famílias que passaram por situações semelhantes.



Fonte: A NOTÍCIA

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