Falsos sequestros: mulheres fingem que foram raptadas para fugir de maridos

01/09/2011

Investigações feitas pela polícia nas suspeitas de sequestros têm revelado mentiras que estão se tornando comuns entre mulheres que se fazem passar por vítimas para enganar os maridos. Só em agosto a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) descobriu dois falsos sequestros desse tipo.

No mais recente, ocorrido na segunda-feira, a suposta vítima foi pega passeando em um shopping de Florianópolis. A mulher, moradora de Balneário Camboriú, sustenta a versão de que foi sequestrada, mas estava andando para disfarçar, a mando dos bandidos.

Conforme a investigação, a mulher, casada com um coronel da Polícia Militar aposentado, saiu de Balneário Camboriú na segunda após o almoço em direção a Florianópolis.

Na Capital, ela ligou para o marido, informou que estava com o cartão da conta bancária dele e perguntou quanto poderia sacar. O marido disse que no caixa eletrônico era possível sacar somente R$ 1 mil por dia. Desesperada, a mulher disse que estava em poder de bandidos e que a quantia era baixa. Mesmo assim, ela fez o saque.

A polícia foi acionada e conseguiu localizá-la no shopping, de onde ela fez a ligação. A mulher, que estava desacompanhada, foi levada à delegacia. Em depoimento, contou que os ladrões não levaram as joias porque ela escondeu, e manteve a versão de sequestro.

Os agentes analisaram as imagens das câmeras internas do shopping e perceberam que ela estava sozinha quando ligou para o marido. A polícia concluiu que a versão é fantasiosa.

O delegado da antissequestro, Renato Hendges, explica que o desaparecimento pode ser voluntário ou involuntário e a obrigação da polícia é investigar. Mas podem haver imprevistos como esse.

— Nós acabamos deslocando pessoal, fazendo diligências e além de atrapalhar nosso trabalho isso gera gasto —, diz.

Gravidez simulada em Joinville

O caso de falso sequestro mais comentado na Deic parece trama de novela, e ocorreu em 2003, em Joinville. O enredo contou com gravidez forjada, fuga com o ex-namorado, perfil falso em rede social para contatar o marido e um fim em tom de “felizes para sempre”.

Tudo começou com a falsa gravidez. A polícia não sabe o motivo, mas a mulher, casada com um advogado, inventou que estava grávida e a mentira se arrastou até o suposto nono mês de gestação. O marido não desconfiou porque ela usou a urina de uma amiga gestante para fazer um exame de gravidez em seu nome.

A mulher desapareceu na véspera da cesariana levando a bolsa e o celular. A polícia entrou no caso. Paralelamente, uma pessoa com o nome de Jaqueline, que dizia ser amiga da suposta vítima, começou a se corresponder com o marido da desaparecida por e-mail. Orientado pela polícia, ele manteve contato.

Jaqueline dizia que a mulher do advogado estava sendo mantida em cárcere privado por um antigo namorado. Que ela era agredida e mantida numa casa com grades e cães.

Os contatos de Jaqueline com o advogado se tornaram constantes. Foi então que investigadores compararam uma carta da desaparecida que estava no casal com as conversas trocadas entre a suposta amiga e o marido.

A polícia verificou que tanto a vítima quanto Jaqueline cometiam os mesmos erros de gramática, como escrever “serto”. Após rastrear o computador usado por Jaqueline, a polícia chegou até ela e descobriu que a mulher era a desaparecida.

A suposta vítima estava vivendo em um prostíbulo e nunca esteve grávida. A polícia teve acesso às casas onde ela viveu com o ex-namorado enquanto esteve sumida e verificou que muitas sequer tinham grades. De acordo com a polícia, o casal estudava processar o médico que atestou a gravidez por dano moral.

Quase um mês depois, caso é solucionado

No dia 17 de agosto, os policiais da Deic solucionaram outro caso de falso sequestro após quase um mês do suposto desaparecimento da vítima. Uma moradora de Angelina, da Grande Florianópolis, conheceu uma pessoa pela internet e abandonou o marido para ficar com o amante de 25 anos.

A mulher de 32 anos saiu de casa no dia 13 de julho e foi localizada em Brasília na casa do amante. Ao contrário da suposta vítima de Balneário Camboriú, em depoimento ela acabou assumindo que fugiu do marido.

Segundo a polícia, a mulher alegou que ela e os filhos passavam necessidades e que o marido era violento. Nesse caso, como quem acionou a polícia foi o marido enganado, não houve falsa comunicação de crime.


Fonte:A NOTÍCIA

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